sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Fim.


Eu queria estar escrevendo um texto bonito, daqueles que as pessoas escrevem no final do ano, ressaltando todas as coisas boas que aconteceram... Todas as conquistas e progressos, superações... Mas não vai ser dessa vez. 

Escrevo este texto, como uma última oportunidade de colocar pra fora o que estou guardando desde ontem. 

Eu tive a ousadia de ser sincera, e o resultado foi o fim de um relacionamento (tóxico, e que já não ia muito bem) e de um começo de amizade. 

Talvez eu esteja sofrendo por besteira e daqui uma semana já esteja leve de novo, - espero por isso - mas não sou o tipo de pessoa que descarta pessoas por 'nada', até aquelas que me fazem mal, ou que de alguma forma contribuem para isso.

Estava num relacionamento - xoxo, capenga, manco e anemico - a 4 meses. Entre trancos e barrancos, estávamos tentando seguir em frente. Eu tinha todos os motivos do mundo - abandono, silencio, falta de carinho, falta de comunicação e sigilo - para dar graças a Deus por ter terminado por um motivo tão bobo, mas pq eu não estou?

Já derramei umas lágrimas, já me culpei pela situação, já criei hipóteses, já me humilhei pra pessoa... E nada, o fim foi decretado por ele e foda-se os meus sentimentos.

Desculpe o palavrão, mas estou com uns sentimentos aqui que nem sei descrever, e eles precisão sair de alguma forma. 

Nestes 4 meses, eu fui eu mesma neste relacionamento, que já começou fadado ao fim, mas eu quis tentar. Pena que eu quis sozinha. 
Relevei todos os 'maus tratos', o abandono e o fato de nunca poder nomear isso que a gente tinha. 

Eu amei de verdade. Fiz coisas que jamais faria em sã consciência... Enfim, eu vivi. E não tô sabendo lidar com este fim. 

O ano acaba, ou melhor, mais um ano acaba e com ele a minha vontade de tentar viver feliz. Não sei como vou sair dessa fossa, mas espero que seja logo. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Geradores de Reis.


Eu tenho uma teoria própria, criada por mim e levada em consideração somente por mim também, que é a seguinte: se uma ideia ficar na minha cabeça por mais de 24h, vale a pena transformá-la em um texto. 😊

Pois bem, ontem passei o dia reflexiva a respeito de algumas pessoas com quem tive o (des) prazer de dividir parte da vida e chamar de 'amiga(o)'. Tenho a debilidade de não saber ser menos do que 100% em tudo o que me proponho a fazer e, com os relacionamentos não é diferente. O que causa dores na alma, solidão profunda, crises de ansiedade e episódios de depressão constantes.

Falando sobre pessoas, geralmente, meu radar para decepções soa alto sempre que conheço potenciais 'gatilhos' humanos que me farão sofrer, mas aí o lado 'emocional' me faz burlar esse aviso e 'dar uma chance' - pois as pessoas precisam de chances - para a pessoa me mostrar que eu estava errada. E é nessa hora que eu me lasco!

Eu costumo ser fechada, isolada e quieta na minha. Isso incomoda algumas pessoas e alivia outras. Prefiro viver na minha concha (ou bolha) pois assim não incomodo e não sou incomodada. Porém, quando tento sair do cômodo e confortável, necessariamente é com aquelas potenciais pessoas que me farão mal e me deixarão em uma versão pior de mim.

Este ano de 2022, tá na lista do Guinness do ano que mais tomei no cool e me decepcionei com as pessoas. Não costumo ajudar e esperar reconhecimento ou retorno de algo, mas francamente... Tem horas que cansa, sabe?

Eu adoraria saber como as pessoas que tem rei na barriga mantém a dieta, sinceramente. Sabe aquelas pessoas que num primeiro momento eram radiantes, solares, 'amigas', parceiras... Do nada - geralmente quando conquistam algo - se transformam em seres tão desprezíveis. Pra que?

Ou na real, elas sempre foram assim, e a gente que não percebeu, né?
Sério, fiquei o dia todo com este peso na mente. Apesar de parecer fria e calculista, sou bem emocional e sensível à certas coisas. E, mesmo tentando - me esforçando muito, por sinal - me manter firme e forte na fama de má, sempre cedi pra essa tendência de dar uma chance - e se ferrar de perto.

Enfim, decepções são as melhores incentivadoras para crescimento e amadurecimento emocional.
Apesar das dores, a gente sai zerada - e pronta pra outra - e mais experiente.

sábado, 19 de novembro de 2022

Pq dói tanto?

Em minhas vagas memorias da infância, lembro de um dia, tentar jogar futebol e, na emoção do momento, fechei os olhos e chutei a bola com toda a minha força... Por uma fração de segundos, aquilo funcionou na minha cabeça, mas ao fechar os olhos, chutei a guia do canteiro onde tinha uma árvore... Até aquele momento, foi a pior dor que eu senti na vida. Eu deveria ter uns dez, onze anos... No momento do chute cego, apenas senti minha perna esquerda se encolher, e meu pé doer muito... Demorou alguns minutos e meu tênis estava todo encharcado de sangue.
Nesta época, meu pai calculava o tempo que eu levava da escola pra casa e, obviamente este dia eu não cheguei no horário, o que fez ele ir atrás. Ele me encontrou no meio do caminho, chorando e com muita dor. Ainda fomos até em casa, deixei meus materiais, ele pegou meus documentos e fomos pra Sta Casa de Misericórdia em Sto Amaro... Passamos o dia lá.
Entre choros e puxões de orelha (literalmente - pq futebol não era coisa pra menina) a fila diminuía. Fui atendida, tirei raio X... Meu 'dedão' e os dois que seguiam ele estavam totalmente deitados para a esquerda. O sangue já havia esfriado, então a dor estava o triplo, o pé roxo... O enfermeiro apenas sorriu e disse: vai doer um pouco, mocinha! 
Sério, não doeu SÓ um pouco. Ele segurou meus dedos e num impulso só, realocou eles no lugar. Misericórdia, que dor!
Fui pra sala de gesso... E meu sonho de princesa estava se realizando: ter uma parte do corpo engessada!
Detalhe: era mês de outubro, e a recomendação era ficar 2 meses com aquilo no pé. Bastou 20 minutos pra este sonho já se tornar o pior pesadelo. Doía muito, era pesado, tinha um furo no calcanhar, coçava pra kct... Horrível.
Daí, fiquei imaginando passar meu aniversário, Natal e ano novo com aquilo nos pés... Jamais. 
Tive a brilhante ideia de, ao invés de deixar '2 meses', mudar a receita para '20 dias'. E assim eu fiz. Usei minhas habilidades marginais de copiar a letra dos outros e fiz isso.
Hoje, eu seria presa por isso... E o pior, que mesmo com o amadorismo da fraude, o médico aceitou na hora de tirar o gesso. Outro ponto que não é legal... A enfermeira quase cortou minha pele (ainda hoje, tenho uma leve cicatriz).
Fui pra casa, mancando e com dor, mas sem transparecer, pq não poderia correr o risco de voltar ao hospital e passar por tudo aquilo novamente.
Mal sabia eu que era o princípio das dores... E pro resto da vida. 
Cresci, e meu pé nunca mais foi o mesmo. Hoje, aos 37 se muda o tempo, meu pé dói. Meus dedos não dobram normalmente e, sempre que me ver, estarei estalando o pé esquerdo. Parece que ele é solto, sei lá...
Tá, mas o que isso tem a ver com o título do texto?
Então, eu meio que me acostumei a pegar 'atalhos' na vida que me trouxeram situações que não foram curadas no tempo estabelecido, o que gera dores, sempre que 'mudam as estações'. Como assim, Bruna?
Meu imediatismo e ansiedade, me fazem acelerar processos, pular etapas e me lascar com as sequelas provocadas por mim. E sim, doem pra um sr kct! 
Talvez, se eu tivesse suportado os 2 meses do gesso, hoje meu pé seria normal, eu poderia usar um salto, ou dançar de boa (não que eu tenha sido impedida por conta disso), mas eu preferi correr o risco, e me dei mal. 
Talvez se eu esperasse o momento certo para tomar certas decisões, eu não sofreria tanto com os resultados ruins que venho tendo, mas eu não soube esperar. E sim, dói muito.
Entender pq dói tanto já está nítido pra mim, mas este é outro atalho que eu tomei pra 'meter o loko' e deixar pra amanhã o que eu não quero fazer nunca. 

E é isso. 

sábado, 24 de setembro de 2022

Será que eu sou tao ruim assim?


Eu estava aqui, zapeando pelas redes sociais e me peguei pensando em coisas que - aparentemente - nao têm sentido algum. Uma delas é que eu devo ser uma pessoa muito ruim.

Revendo 'minhas amizades', percebendo que a cada dia estou mais sozinha... Não que isso seja de toro ruim, mas é um pouco...
Não tenho a capacidade de criar um vínculo com alguem, sem tentar prever quando a pessoa vai me apunhalar pelas costas, ou como será o próximo golpe.

Perdi a capacidade de confiar nas pessoas. Até dou abertura para que se aproximem, mas a confiança não vem no pacote.

Psicologicamente falando, isto ocorre quando 'algo' falha em nós, daí espelhamos isto no outro. Como o ditado de sentar em cima do rabo e reparar no do outro...
Daí a minha duvida de que devo ser uma pessoa muito ruim.

Será que nao consigo confiar nas pessoas pq, de alguma maneira, sei que elas não podem confiar em mim? Me fecho para novas experiências e nao deixo algumas coisas acontecerem pq sei que transmito essa mensagem?

Sao dúvidas que irão morrer da mesma maneira que nasceram: em mim e comigo. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Bloqueio total.





Sabe aqueles dias em que nada parece dar certo? Que mesmo você se esforçando e fazendo tudo de acordo com os protocolos, nada 'flui' ou 'funciona'...
Que saco. Nem chorar eu consigo sem um incentivo externo, tipo filme, série, etc.
Não consigo xingar. Não sei brigar. Nem com quem me fez passar a raiva do dia.
E pior, ainda me sinto culpada por ter me deixado abalar pela afronta recebida. E ansiosa por mandar uma mensagem pedindo desculpa.
Tudo bem ser empática, mas tudo tem limites.
Quando eu era mais nova, guardava tudo o que recebia dos outros. Exatamente tudo. Literalmente tudo. Desde coisas materiais à emoções. Cresci com isso. Até perceber que isso foi o estopim para várias crises de depressão, baixa auto estima, crises de ansiedade e as coisas que vem neste kit. Eu nem sabia nomear essas coisas, mesmo sendo bem curiosa e aberta a tudo. Porém, crescer com isso me trouxe problemas para a minha vida literalmente toda. Mesmo com terapia, alguns poucos amigos NÃO ESTÁ FUNCIONANDO!
Sinto que estou pirando e não sei o que fazer para evitar isso.
Hoje, especificamente, está muito pesado. Muitas coisas ruins ao mesmo tempo. Muitos 'não' diretamente jogados na minha cara. E tudo o que sei fazer é comer e me isolar no quarto, como se isso fosse mudar alguma coisa.
Neste momento, já estou me sentindo bem pior por escrever isso.
Então tchau. 

Aprendendo com minhas cicatrizes.


Estava aqui, pensando na vida enquanto nutria uma discussão sadia com o crush pelo WhatsApp.
De repente, um assunto delicado foi tocado e, ao mesmo tempo, passei a mão por cima da cicatriz dos pontos da cirurgia que fiz.
A cicatriz doeu. E a lembrança tbm.
Comecei a pensar na cicatriz, e passei a evitar o espaço que ela ocupa para não cair na tentação de arrancar as 'casquinhas' da cicatrização. Pensei na dor maior que isso geraria e no transtorno. Ir ao hospital de novo, e ter que passar por todo o processo, só que dessa vez, acordada e sem anestesia. Sentindo tudo. Outra vez.

E logo em seguida, me veio à mente o pq de eu não ter este cuidado com as minhas emoções. Sempre estou revisitando e tirando as casquinhas das coisas que já eram para terem sido curadas, mas eu sempre arranco a merda das casquinhas, vejo sangrar, sinto a dor e revisito o local da dor. Acordada e sem anestesia.

Tá certo, por vezes não é de propósito, como dessa vez. Um gatilho foi disparado e, quando eu percebi, já estava sangrando. Sem nem ao menos ter a oportunidade de evitar o local marcado pela cicatriz.

Tá ai a explicação do pq algumas feridas nunca fecham. Pq nós sempre estamos cutucando essas feridas.
A gnt é meio masoquista, às vezes... E não dá nem pra ficar elaborando muita coisa pra camuflar a nossa total incapacidade de lidar com certas coisas. A vida nos empurra pra situações em que sempre vamos disparar estes gatilhos. O verdadeiro 'atura ou surta'.

Minhas cicatrizes da cirurgia, estão bem. A recuperação está rápida. Por fora a pele está bem tratada, quase imperceptível. Porém, por dentro, vai levar um pouco de tempo ainda pra fechar.

As cicatrizes da alma, por outro lado, estão inflamadas. Demoram uma vida para fechar. E nunca será por completo. Mesmo fechadas e cicatrizadas, ao mínimo toque, vou perceber que estão lá, as vezes vão até doer. Outras só me farão lembrar do pq foram abertas.

Das minhas cicatrizes, físicas e emocionais levo a lição de que elas estão ali pq algo precisou ser tirado para que eu pudesse continuar vivendo. Melhor? Talvez. Porém sem dores desnecessárias.

A menos que eu provoque a dor. 

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Noite.

Algumas pessoas usam a noite para dormir. Talvez a maioria das pessoas, né. Outras para o trabalho. Outras para a diversão... E ha aquelas, como eu, que a perdem para a ansiedade e a eficaz oficina de criação de paranoias e reciclagem de decisões erradas tomadas ao longo da vida.
De uns meses pra cá, contabilizei em média 12 noites dormidas (contando dormir mesmo, das 2h as 10h). Isso em pelo menos 8 meses, pelo que me recordo.
Não sei como iniciou, só sei que não teve fim até o momento. Nem com a terapia.
Sim, fiz algumas sessões de terapia (que eu acho que contribuíram para o aumento de paranoias e 'ressignificação' de algumas coisas).
Ouvi muito sobre ressignificar, buscar memórias doloridas que aí, talvez desencadeasse uma 'cura' de algo que eu nem sabia que estava ferido, e essas coisas que só Freud explica. Enfim, com essa técnica, eu realmente revisitei alguns momentos da minha vida. E fiz a pior coisa que se poderia fazer.
Busquei uma dor latente que estava irradiando para outros setores da minha vida e ressignifiquei. Conclusão: busquei um sentimento mal parado de 10 (fucking) anos atrás e fui ver no que dava. Procurei a pessoa, explanei a situação e virei piada. Pois é. Nem todo mundo tem maturidade além da idade aparente.
O ego é realmente um algoz. Faz as pessoas se acharem muito mais do que são, quando na verdade elas são apenas PESSOAS.
Foi um erro ter me declarado sem pensar nas consequências? Sim. Me arrependo? Jamais. Fiz o que eu tinha que fazer. Afinal, era um capítulo da minha história que estava com um marca páginas velho, desbotado e sem graça que, agora, depois da leitura, pude finalizar, fechar o livro e abandoná-lo no banco do metrô. Que com certeza ninguém vai pegá-lo e ele irá parar no galpão de achados e perdidos e ficará lá até ser incinerado por abandono e inutilidade.
Uau, me superei nessa 🤣 🤣 🤣
Enfim, como saldo, tive que ouvir do MEU PAI que estou muito melancólica esses dias... Cara, se até meu pai, que está do outro lado da cidade percebeu isso, sinal que a coisa tá feia MEIXMO!
Mas contudo porém todavía entretanto, sigo em frente, em busca de um incentivo pra esse resto de vida que me resta. Agora são 7h05 de uma segunda feira... As crianças já estão indo pra escola e eu sequer fechei os olhos pra DORMIR.
Minha aparência está de uma múmia de mil anos. A vaidade mandou lembranças... E a vontade de fazer outra merda no cabelo é gigantesca. Mas, bola pra frente né?
Um dia isso passa.