domingo, 22 de novembro de 2020

Fora da Zona de Conforto - Não é só um Quarto

Bem, caros amigos, o enredo deste texto, nada mais é do que a mais pura verdade do que eu estou sentindo agora.
Aos 35 anos e 11 dias, tenho a oportunidade de ter meu próprio quarto. Estranho, né?
Muitas pessoas estão comemorando o carro próprio, casa, apto, casamento, filho... E eu, meu quarto. Dane-se! Cada um se diverte com o que tem, já dizia Chorão.
Mesmo parecendo simples e fútil, valorizo as pequenas conquistas (não despreze os pequenos começos). E está é a primeira pequena conquista com grande significado pra mim.
Hoje, é a primeira noite que estou no quarto que sonhei e planejei por anos. Cada detalhe, cada coisa, mas pq não estou feliz?
Este ponto é o que me preocupa muito. Será que perdi a capacidade de festejar 'as pequenas conquistas', mesmo afirmando isso à torto e à direita?
Posso afirmar que, desde o início de 2019,muitas coisas mudaram pra mim. O decorrer do ano, só trouxe coisas 'inesperadas' e isso me tornou um tanto mais fria que o de costume. Na virada do ano, acreditei que este ano seria melhor, pois nada de pior poderia acontecer, comparado ao ano anterior. E me enganei feio!
Nunca fui de me deixar "contaminar" pelas coisas passadas (talvez um pouco) e sempre optei pela segunda chance (isso não é uma regra aplicável à tudo) para que a oportunidade de ver diferente fosse experimentada, mas tá tenso esses últimos meses.
Este lance do quarto, me tirou da minha zona de conforto, onde eu habitava um local 'comum' da casa, mesmo estando desconfortável e sem privacidade nenhuma, mas era bom. Agora, arrumando cada coisa o lugar, passam vários flashbacks na mente, aí bate o desânimo e a vontade de voltar pra trás.
Não sei como explicar e, as pessoas com as quais conversei, também não sabem como explicar (óbvio, pq é comigo que está rolando e não com os outros). Ou dizem que é fase, ou espiritualizam, ridicularizam ou jogam aquele papo de consciência de que 'muitas pessoas queriam ter o mínimo disso que eu tenho é não estou me empenhando em manter'.
Mas Bruna, é só um quarto! Sim, é um quarto. Mas não SÓ um quarto. Será o meu novo mundinho. Onde habitarão meus pensamentos. Tipo aqueles que me assombram a meses e eu não falo com ninguém sobre. Ou aqueles que me fazem querer acabar com tudo. Ou aqueles que me elevam ao ponto de eu achar que sou a pessoa mais importante do mundo. Ou aqueles que mostram exatamente o contrário. Entendeu a questão? Não é só um quarto. São infinitas possibilidades.
Aqui, na primeira noite, já imaginei mil coisas, assisti 12 episódios de uma série, vi e revi todas as redes sociais, pesquisei por coisas bestas e só consigo imaginar que estou ocupando um lugar que não é meu.
Sem contar a ideia de estar menosprezando o esforço da minha mãe em deixar tudo perfeito para mim. E proporcionar o mais próximo do que eu queria. Sério, não é só um quarto. É um turbilhão de responsabilidades. E eu não sei se vou dar conta. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A Sutil Arte De Fazer 35 Anos

Primeiramente, declaro que: nem em meus melhores sonhos imaginei chegar a essa idade, como estou.

Ao completar 30 anos, percebendo que nada do que planejei estava ao menos próximo de acontecer, me desesperei e chorei muito. Muito mesmo. Lembro que no dia, havia umas pessoas em casa, tínhamos acabado de chegar da igreja. Eu me escondi no alto da escada pra chorar. Quando eu desci, as pessoas começaram a cantar parabéns e orar por mim, e eu só chorava, mas não era um choro de emoção, era de decepção. Poxa, muitas pessoas que eu conheço, antes dos 25 já tinham tudo o que eu planejei pra mim, e eu só tinha os planos mesmo.
Não era a culpa de ninguém além de mim, mas na hora, não pensei nisso. Só tinha a absoluta certeza de que eu era uma fraude, de que eu era uma fraca e incompetente. Demorou um bom tempo pra eu assimilar e perceber o quão errada eu estava. 
Nesta época, eu estava desempregada, mas ainda na faculdade. Os estudos também não iam bem. Nada ia bem. Depois, com o tempo, percebi que trintar era apenas o escape que eu precisava pra acordar e mexer em algumas coisas. Tomar ciência de que nem sempre as coisas acontecem como planejamos, que até nossos planos mudam e podem melhorar. E também que pode acontecer de nada do planejado sair do papel (que foi o meu caso).
Eu sempre romantizei tudo. Baseava a minha vida nos filmes da sessão da tarde e nas histórias dos livros que lia. Aos 30, na minha ideia, eu estaria formada em Artes, teria minha casa branca com varanda um quintal e uma janela em Recife, com minhas trigêmeas e meu marido negro e lindo, meus gatos pretos, meu piano de calda na sala, minhas flores azuis e verdes em um jardim repleto de borboletas e aquele bla bla bla todo... Mas não... Aos 30 eu estava com o nome sujo, solteira, sem filhos, morando em guaianazes ainda, cursando Psicologia numa faculdade duvidosa, e chorando escondido na escada com a vergonha dos meus planos frustrados.
Mas sobrevivi até aqui!
Depois desse balde de água fria, parei de planejar. Apenas passei a viver os dias. Não planejava nem o que iria perguntar à um paciente na sessão. Deixei exatamente a vida me levar. E daí, algumas coisas passaram a acontecer. Tive problemas? Muitos. Mas lidei com cada um da maneira que era possível. Enfrentando ou fugindo deles.
Por causa da frieza que adquiri, perdi muitas coisas, pessoas e oportunidades. Não me arrependo disso. Também foi lição.
Algumas oportunidades surgiram e, novamente cai na tentação de projetar um futuro próximo. E cá estou eu!
Hoje, a maioria do que planejei para os meus 35 anos deu errado. Perdi meu baby, ainda solteira GRAÇAS A DEUS, não estou atuando como Psicóloga ainda, não tenho minhas flores azuis e verdes nem meu piano de calda. But, tenho minha empresa, que está me dando muita felicidade. Estou longe do patamar que quero alcançar, mas estou no caminho. Adquiri a capacidade de ser boa ouvinte e de não mais me deixar abater pela ingratidão dos outros.  Percebi que consigo tomar uma decisão sem que precise da aprovação dos outros e que as decisões erradas tendem a me levar ao lugar certo, a maioria das vezes. Percebi meu lugar. Em mim e na vida dos outros. Não preciso mais me diminuir pra caber em ninguém nem pensar demais pra falar não. 
Sim, fazer 35 anos me trouxe uma certeza de que 'mares calmos não fazem bons marinheiros' e que, mesmo com meu pavor de chuva, as tempestades tendem à nos levar para o lugar certo na hora precisa. 
É assustador fazer 35 anos. Dá saudade dos tempos de criança e adolescência, mas não trocaria nem por um minuto as experiencias que tive até aqui. 
Não vou planejar nada pra este próximo ciclo. Prefiro ser surpreendida. 
Talvez eu me arrependa disso, mas assim será melhor. 
Obrigada aos que chegaram até aqui comigo, valeu pelo role. 

Brubeijos e Brubraços 
Happy birthday to me!