segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Geradores de Reis.


Eu tenho uma teoria própria, criada por mim e levada em consideração somente por mim também, que é a seguinte: se uma ideia ficar na minha cabeça por mais de 24h, vale a pena transformá-la em um texto. 😊

Pois bem, ontem passei o dia reflexiva a respeito de algumas pessoas com quem tive o (des) prazer de dividir parte da vida e chamar de 'amiga(o)'. Tenho a debilidade de não saber ser menos do que 100% em tudo o que me proponho a fazer e, com os relacionamentos não é diferente. O que causa dores na alma, solidão profunda, crises de ansiedade e episódios de depressão constantes.

Falando sobre pessoas, geralmente, meu radar para decepções soa alto sempre que conheço potenciais 'gatilhos' humanos que me farão sofrer, mas aí o lado 'emocional' me faz burlar esse aviso e 'dar uma chance' - pois as pessoas precisam de chances - para a pessoa me mostrar que eu estava errada. E é nessa hora que eu me lasco!

Eu costumo ser fechada, isolada e quieta na minha. Isso incomoda algumas pessoas e alivia outras. Prefiro viver na minha concha (ou bolha) pois assim não incomodo e não sou incomodada. Porém, quando tento sair do cômodo e confortável, necessariamente é com aquelas potenciais pessoas que me farão mal e me deixarão em uma versão pior de mim.

Este ano de 2022, tá na lista do Guinness do ano que mais tomei no cool e me decepcionei com as pessoas. Não costumo ajudar e esperar reconhecimento ou retorno de algo, mas francamente... Tem horas que cansa, sabe?

Eu adoraria saber como as pessoas que tem rei na barriga mantém a dieta, sinceramente. Sabe aquelas pessoas que num primeiro momento eram radiantes, solares, 'amigas', parceiras... Do nada - geralmente quando conquistam algo - se transformam em seres tão desprezíveis. Pra que?

Ou na real, elas sempre foram assim, e a gente que não percebeu, né?
Sério, fiquei o dia todo com este peso na mente. Apesar de parecer fria e calculista, sou bem emocional e sensível à certas coisas. E, mesmo tentando - me esforçando muito, por sinal - me manter firme e forte na fama de má, sempre cedi pra essa tendência de dar uma chance - e se ferrar de perto.

Enfim, decepções são as melhores incentivadoras para crescimento e amadurecimento emocional.
Apesar das dores, a gente sai zerada - e pronta pra outra - e mais experiente.

sábado, 19 de novembro de 2022

Pq dói tanto?

Em minhas vagas memorias da infância, lembro de um dia, tentar jogar futebol e, na emoção do momento, fechei os olhos e chutei a bola com toda a minha força... Por uma fração de segundos, aquilo funcionou na minha cabeça, mas ao fechar os olhos, chutei a guia do canteiro onde tinha uma árvore... Até aquele momento, foi a pior dor que eu senti na vida. Eu deveria ter uns dez, onze anos... No momento do chute cego, apenas senti minha perna esquerda se encolher, e meu pé doer muito... Demorou alguns minutos e meu tênis estava todo encharcado de sangue.
Nesta época, meu pai calculava o tempo que eu levava da escola pra casa e, obviamente este dia eu não cheguei no horário, o que fez ele ir atrás. Ele me encontrou no meio do caminho, chorando e com muita dor. Ainda fomos até em casa, deixei meus materiais, ele pegou meus documentos e fomos pra Sta Casa de Misericórdia em Sto Amaro... Passamos o dia lá.
Entre choros e puxões de orelha (literalmente - pq futebol não era coisa pra menina) a fila diminuía. Fui atendida, tirei raio X... Meu 'dedão' e os dois que seguiam ele estavam totalmente deitados para a esquerda. O sangue já havia esfriado, então a dor estava o triplo, o pé roxo... O enfermeiro apenas sorriu e disse: vai doer um pouco, mocinha! 
Sério, não doeu SÓ um pouco. Ele segurou meus dedos e num impulso só, realocou eles no lugar. Misericórdia, que dor!
Fui pra sala de gesso... E meu sonho de princesa estava se realizando: ter uma parte do corpo engessada!
Detalhe: era mês de outubro, e a recomendação era ficar 2 meses com aquilo no pé. Bastou 20 minutos pra este sonho já se tornar o pior pesadelo. Doía muito, era pesado, tinha um furo no calcanhar, coçava pra kct... Horrível.
Daí, fiquei imaginando passar meu aniversário, Natal e ano novo com aquilo nos pés... Jamais. 
Tive a brilhante ideia de, ao invés de deixar '2 meses', mudar a receita para '20 dias'. E assim eu fiz. Usei minhas habilidades marginais de copiar a letra dos outros e fiz isso.
Hoje, eu seria presa por isso... E o pior, que mesmo com o amadorismo da fraude, o médico aceitou na hora de tirar o gesso. Outro ponto que não é legal... A enfermeira quase cortou minha pele (ainda hoje, tenho uma leve cicatriz).
Fui pra casa, mancando e com dor, mas sem transparecer, pq não poderia correr o risco de voltar ao hospital e passar por tudo aquilo novamente.
Mal sabia eu que era o princípio das dores... E pro resto da vida. 
Cresci, e meu pé nunca mais foi o mesmo. Hoje, aos 37 se muda o tempo, meu pé dói. Meus dedos não dobram normalmente e, sempre que me ver, estarei estalando o pé esquerdo. Parece que ele é solto, sei lá...
Tá, mas o que isso tem a ver com o título do texto?
Então, eu meio que me acostumei a pegar 'atalhos' na vida que me trouxeram situações que não foram curadas no tempo estabelecido, o que gera dores, sempre que 'mudam as estações'. Como assim, Bruna?
Meu imediatismo e ansiedade, me fazem acelerar processos, pular etapas e me lascar com as sequelas provocadas por mim. E sim, doem pra um sr kct! 
Talvez, se eu tivesse suportado os 2 meses do gesso, hoje meu pé seria normal, eu poderia usar um salto, ou dançar de boa (não que eu tenha sido impedida por conta disso), mas eu preferi correr o risco, e me dei mal. 
Talvez se eu esperasse o momento certo para tomar certas decisões, eu não sofreria tanto com os resultados ruins que venho tendo, mas eu não soube esperar. E sim, dói muito.
Entender pq dói tanto já está nítido pra mim, mas este é outro atalho que eu tomei pra 'meter o loko' e deixar pra amanhã o que eu não quero fazer nunca. 

E é isso.