quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Gratidão!

Então chegou ao fim este ano bombástico!

Mas independente de qualquer coisa, eu vou tentar focar só nas coisas boas que aconteceram esse ano para mim. 
Antes de mais nada, esse ano literalmente, eu saí da zona de conforto para tentar dar uma segunda chance, tentar ser uma pessoa melhor, encarar as coisas com outros olhos. Isso pôde acontecer em algumas áreas da minha vida.
Eu pude ver esse ano como a sexta-feira de todos os anos que eu vivi. A gente costuma dizer que sexta-feira é o dia de faxina né, o dia que a gente separa tudo o que é útil e o que não é mais útil e faz aquela limpeza abrindo espaço para outras coisas e 2020 para mim, foi a minha sexta-feira de faxina.

Eu pude reavaliar algumas situações da minha vida como eu disse, dei segunda chance para algumas para ter certeza que não é aquilo que eu quero para mim. Eu comecei coisas novas me permiti experimentar coisas novas, eu pude ter mais tempo de refletir sobre quem eu sou, o que eu quero, onde eu estou, o que eu tô fazendo certo ou errado e se as minhas escolhas até aqui estão sendo realmente minhas escolhas ou se só tô sendo massa de manobra pras escolhas de outras pessoas.

Com certeza foi o ano em que o mais perdi pessoas, não de um jeito bom, porque acredito que a gente pode escolher o jeito que a gente tira as pessoas da nossa vida e esse ano fez a pior forma. Algumas foram inevitáveis outras já estava passando da hora, mas todas deixaram marcas, todas! Umas mais do que outras, mas todas deixaram.

Muitas pessoas me deram oportunidade de ver quão tóxica eu estava sendo, e quão tóxica eu estava deixando que as pessoas fossem na minha vida. Eu pude aprender a pôr em prática ou não. Ou seja, colocar minha vontade a frente da vontade dos outros. Tive um maior ganho do mundo que eu poderia fazer para mim, a maior conquista que foi começar a terapia. Por mais que não pareça, mas me ajudou bastante em alguns aspectos da minha vida, principalmente na tomada de decisões e na utilização do não. Eu pude ver como é me colocar no meu lugar de fala e deixar claro o que eu tô sentindo, quando eu tô sentindo, para quem estou sentindo sem sentir culpada por deixar isso claro.
Pude acordar (não da maneira boa) e reconhecer a minha raça, A minha cultura, a minha Negritude, e infelizmente, eu só me dei conta disso no momento em que o racismo se fez palpável na minha frente e que doeu de verdade, como se eu tivesse tomado um tapa na cara. E a partir desse momento, acredito que muita coisa mudou na minha vida. Porquê depois desse momento que tudo isso que eu escrevi anteriormente passou a ser regra na minha vida. Falar quem eu sou de onde eu vim, o que eu estou fazendo aqui o que está ou não me agradando... Isso foi (eu não gosto dessa palavra, mas..) isso foi o top da minha vida esse ano eu agradeço muito a Deus por isso.

Profissionalmente falando, eu pude dar uma uma segunda chance para o lugar que eu trabalhava e lá, eu pude ver  a questão do que eu não queria para minha vida. Que é trabalhar num lugar onde você é só um número. Só alguém para prestar contas no Imposto de Renda, entendeu? Só alguém para engrossar a fila de pessoas que dependem de alguém. Então eu tive a oportunidade de voltar para lá para ver qué isso não era mais para mim. E, a partir daí, com um pouco de dor, fui atrás do meu lugar e de  tentar conquistar com as minhas próprias mãos (literalmente) o meu lugar pode sair dessa zona de conforto e tentar fazer algo bom por mim.
Por mais bobo que isso pareça, mas eu pude parar para contemplar as coisas. Contemplar o céu, as plantas, essa paisagem horrível que eu tenho aqui quando eu abro minha janela. Porém eu tenho a paz de parar e observar, porque até nisso Deus é bom comigo, pois eu posso ter essa paisagem que, Por ora, não seja muito agradável, mas que me faz lembrar de onde eu saí e aonde eu cheguei.
Uma coisa que meu terapeuta sempre fala é que não importa se faltam 10 passos ainda para frente o importante é que eu já dei um. Esse talvez, seja um ponto legal de parar para pensar.
Enfim, eu só tenho gratidão por todo aprendizado, por todas as lágrimas, por todos os choros, por todos os risos, por todos os momentos de solidão e de Solitude, por todos os momentos em que eu pude parar e me avaliar, que eu pude fazer escolhas, em que eu pude viver essas escolhas, em que eu pude me responsabilizar por essas escolhas. Eu só tenho à agradecer por isso. Enfim, Feliz Novo ciclo para todos e obrigado à todos que me acompanharam até aqui.

Deus abençoe! 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020



Cara Ansiedade,

Entendo que seu papel em minha vida (muitas vezes forçados por mim) seja me deixar alerta quanto às possibilidades das oportunidades que 'talvez eu tenha', Sei também, que deixar o pisca alerta ligado 24x48 é uma forma de não deixar, nem mesmo um fio de cabeo passar batido pelos meus belos olhos castanhos escuros.
Talvez, mesmo depois de ter feito um seminário sobre você (e lógico, com voce ao meu lado) não tenha sido o bastante para eu aprender a lidar com suas diversas formas de acabar com meu dia (e noite).
Não estou achando ruim o fato de eu comer a cada 40min como se estivesse atravessado um deserto, e minutos depois me sentir culpada por tamanha gula e idiotice. Também não estou reclamando de só conseguir dormir depois das 9h (da manhã, caso fique a dúvida) e isso fazer eu me sentir (mais) feia, gorda e incapas do que o de costume. Claro que isso e só o resultado do que eu estou deixando voce fazer comigo.
Eu realmente gostaria de propor um acordo com a senhora, antes que as coisas piorem e passem a me ver como a 'tia louca dos gatos que mora na ultima casa da rua' (não que isso nao seja verdade). A sua influencia na minha vida, está um tanto abusiva. E eu realmente tenho levantado a bandeira de 'fora aos relacionamentos abusivos'. Por favor me entenda, ok?
Eu gostava quando a nossa parceria era 'produtova', pois juntas, passavamos a madrugada produzindo coisas, escrevendo, lendo, planejando, conversando, fazendo coisas uteis no geral. Agora, nossa parceria se resume à Netflix, Youtube e jogos sugeridos nos intervalos dos videos (menos Coin Masters, que é um porre!).
Poxa, eu não quero ter que me obrigar a solicitar uma ajuda médica para poder lidar com voce à base de medicamentos, voce sabe que sou Hipocondríaca* e voce atenua isso em mim. Com certeza, nosso relacionamento é o mais longo que tive na vida, por um tempo voce sumiu, daí voltou com tudo, como se aqui fosse a casa da mae Joana, ne? Eu te entendo, como já disse, mas preciso de um espaço para ser eu de novo.
Sinceramente, não quero mais ter que fazer aquelas reunióes que fazíamos antes, eu voce e a depressão. Ela já andou dando uns sinais de que está por perto e qualquer hora passa por aqui. Até estou evitando sair de casa, para nao trombar com ela a qualquer momento. Sabe que nós tivemos um lance forte também, né? 
E realmente, não quero mais. E não posso mais.
Hoje por exemplo, voce se apresentou mais agressiva. Com dores pelo corpo, azia e aquela sensação de que estou fazendo algo errado ou de que alguem está me vigiando ( ou tudo isso junto). Vamos mesmo partir para a agressão física? Não basta a psicológica, emocional e mental?
Esta carta, é apenas para voce entender o rumo que nosso relacionamento está tomando e, peço que pense com carinho, pois não quero ter que viver assim.
Eu entendo que voce me deixe alerta e que deixei voce dominar as minhas emoções, por conta dos acontecimentos do ultimo ano, mas alivia aí pra mim. Nunca te pedi nada.
Termino esta, exausta. Pois quero dormir, mas voce liberou toda a adrenalina do meu corpo, como se eu tivesse corrido uma maratona tomando açaí com guaraná e chocolate (e uma dose de café).
Acredito que voce vá me entender.

Com Carinho, 
Bruna Ariane Lima.




* Hipocondríaca: Uma pessoa hipocondríaca apresenta medos e preocupações fortes com a idéia de ter uma doença grave. As idéias surgem normalmente por alguma sensação que a pessoa sente no organismo insignificativas.

 * Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): O transtorno de ansiedade generalizada (CID 10 - F41.1)(conhecido pela sigla TAG) ocorre quando a ansiedade persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia. O principal sintoma do quadro é a “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O que aconteceu comigo? - desabafo de (mais) uma noite de insônia.


Bem, como posso começar este texto sem chorar (mais do que já estou) ... 

Sem pretensão de ser a mesma menina romântica que venho sendo a 35 anos, mas já sendo... 

Acabo de assistir à uma série, que relutei muito por sinal, mas que me rendi e fui até o fim (engrossando minha lista de três coisas que fiz até o final – chupa essa procrastinação) e ela me deixou mais mexida que o habitual. 

O plano era assistir e partir pra próxima, como sempre faço. 

But, automaticamente, ao final do último episódio, mergulhei em memorias e no google imagens e fiquei vendo fotos de momentos em que eu estava Feliz! Sim, eu realmente era feliz naquela época. 

Eu tinha uma espécie de ‘cegueira emocional patológica’ que me impedia de ver realmente como as pessoas eram e me deixava levar, para não ficar sozinha e para parecer legal. 

Lia muito, sobre tudo, para sempre ter um bom assunto com quem quer que eu estivesse. Me policiava, pois, às vezes, eu parecia chata por sempre ter uma história sobre algo (acredite, minha vida foi muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito louca e conheço muita gente, das mais diversas culturas, religiões e práticas duvidosas hehehe). Isso fez (e ainda faz) com que eu sempre tenha uma experiencia para compartilhar. 

Agora, estou escrevendo enquanto assisto à um dos milhares de filmes natalinos na Netflix, e como estes clichês mexem com coisas que estão dentro do subsolo do fundo do poço das coisas que não queremos mexer. 

Perdi minha lista de expressões em inglês para substituir um palavrão! 

A aleatoriedade do assunto deste texto demonstra como estão as emoções aqui dentro (e também dá pra saber como meu terapeuta se sente na sessão) E ISSO ME DEIXA MAIS TRISTE. 

Estou numa vibe tão down que não tenho mais Ânimo absolutamente para nada. Não consigo me concentrar para produzir, não consigo desenvolver projetos novos, não consigo me abrir, não consigo fazer nada além de me deitar e ficar brincando com a insônia durante a noite e com a hipersonia durante o dia. Isso é bem chato e está começando a me deixar mal de verdade. Tenho até medo de pensar em uma nova onda de depressão. Não sei se eu aguento outra. 

Enfim, as fotografias tem o poder de nos transportar por emoções muito loucas. Vi fotos minhas, tiradas em um momento em que eu estava apaixonada (RISOS IRÔNICOS) eu tirava foto todo dia, me arrumava, me MAQUEAVA, gastava tempo com coisas fúteis como mensagens melosas, bilhetes perfumados e muito dinheiro investido em presentes e artigos para adultos (não conta pra minha mãe). 

E, como tudo na vida, o romance acabou. Meio trágico e sem nexo, mas acabou (hoje posso dizer GRAÇAS A DEUS POR ISSO) e com ele foi embora a Bruna daquele tempo. 

Passei a evitar pessoas, sentimentos e tudo relacionado à romance (menos os filmes da Netflix), deixe pra lá tudo e todos os que ameace o mínimo de felicidade que exista. Ou seja, eliminei os riscos. E com eles as excelentes oportunidades que possam (ou não) aparecer. 

Mas Bruna, se você sabe a causa e o antidoto, porque continua? Porque talvez, eu seja masoquista. 

Eu adoraria que alguém realmente tivesse a coragem de ler este desabafo e falasse comigo sobre. Meu celular, travesseiro e teto do meu novo quarto já estão cansados.