quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Gratidão!

Então chegou ao fim este ano bombástico!

Mas independente de qualquer coisa, eu vou tentar focar só nas coisas boas que aconteceram esse ano para mim. 
Antes de mais nada, esse ano literalmente, eu saí da zona de conforto para tentar dar uma segunda chance, tentar ser uma pessoa melhor, encarar as coisas com outros olhos. Isso pôde acontecer em algumas áreas da minha vida.
Eu pude ver esse ano como a sexta-feira de todos os anos que eu vivi. A gente costuma dizer que sexta-feira é o dia de faxina né, o dia que a gente separa tudo o que é útil e o que não é mais útil e faz aquela limpeza abrindo espaço para outras coisas e 2020 para mim, foi a minha sexta-feira de faxina.

Eu pude reavaliar algumas situações da minha vida como eu disse, dei segunda chance para algumas para ter certeza que não é aquilo que eu quero para mim. Eu comecei coisas novas me permiti experimentar coisas novas, eu pude ter mais tempo de refletir sobre quem eu sou, o que eu quero, onde eu estou, o que eu tô fazendo certo ou errado e se as minhas escolhas até aqui estão sendo realmente minhas escolhas ou se só tô sendo massa de manobra pras escolhas de outras pessoas.

Com certeza foi o ano em que o mais perdi pessoas, não de um jeito bom, porque acredito que a gente pode escolher o jeito que a gente tira as pessoas da nossa vida e esse ano fez a pior forma. Algumas foram inevitáveis outras já estava passando da hora, mas todas deixaram marcas, todas! Umas mais do que outras, mas todas deixaram.

Muitas pessoas me deram oportunidade de ver quão tóxica eu estava sendo, e quão tóxica eu estava deixando que as pessoas fossem na minha vida. Eu pude aprender a pôr em prática ou não. Ou seja, colocar minha vontade a frente da vontade dos outros. Tive um maior ganho do mundo que eu poderia fazer para mim, a maior conquista que foi começar a terapia. Por mais que não pareça, mas me ajudou bastante em alguns aspectos da minha vida, principalmente na tomada de decisões e na utilização do não. Eu pude ver como é me colocar no meu lugar de fala e deixar claro o que eu tô sentindo, quando eu tô sentindo, para quem estou sentindo sem sentir culpada por deixar isso claro.
Pude acordar (não da maneira boa) e reconhecer a minha raça, A minha cultura, a minha Negritude, e infelizmente, eu só me dei conta disso no momento em que o racismo se fez palpável na minha frente e que doeu de verdade, como se eu tivesse tomado um tapa na cara. E a partir desse momento, acredito que muita coisa mudou na minha vida. Porquê depois desse momento que tudo isso que eu escrevi anteriormente passou a ser regra na minha vida. Falar quem eu sou de onde eu vim, o que eu estou fazendo aqui o que está ou não me agradando... Isso foi (eu não gosto dessa palavra, mas..) isso foi o top da minha vida esse ano eu agradeço muito a Deus por isso.

Profissionalmente falando, eu pude dar uma uma segunda chance para o lugar que eu trabalhava e lá, eu pude ver  a questão do que eu não queria para minha vida. Que é trabalhar num lugar onde você é só um número. Só alguém para prestar contas no Imposto de Renda, entendeu? Só alguém para engrossar a fila de pessoas que dependem de alguém. Então eu tive a oportunidade de voltar para lá para ver qué isso não era mais para mim. E, a partir daí, com um pouco de dor, fui atrás do meu lugar e de  tentar conquistar com as minhas próprias mãos (literalmente) o meu lugar pode sair dessa zona de conforto e tentar fazer algo bom por mim.
Por mais bobo que isso pareça, mas eu pude parar para contemplar as coisas. Contemplar o céu, as plantas, essa paisagem horrível que eu tenho aqui quando eu abro minha janela. Porém eu tenho a paz de parar e observar, porque até nisso Deus é bom comigo, pois eu posso ter essa paisagem que, Por ora, não seja muito agradável, mas que me faz lembrar de onde eu saí e aonde eu cheguei.
Uma coisa que meu terapeuta sempre fala é que não importa se faltam 10 passos ainda para frente o importante é que eu já dei um. Esse talvez, seja um ponto legal de parar para pensar.
Enfim, eu só tenho gratidão por todo aprendizado, por todas as lágrimas, por todos os choros, por todos os risos, por todos os momentos de solidão e de Solitude, por todos os momentos em que eu pude parar e me avaliar, que eu pude fazer escolhas, em que eu pude viver essas escolhas, em que eu pude me responsabilizar por essas escolhas. Eu só tenho à agradecer por isso. Enfim, Feliz Novo ciclo para todos e obrigado à todos que me acompanharam até aqui.

Deus abençoe! 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020



Cara Ansiedade,

Entendo que seu papel em minha vida (muitas vezes forçados por mim) seja me deixar alerta quanto às possibilidades das oportunidades que 'talvez eu tenha', Sei também, que deixar o pisca alerta ligado 24x48 é uma forma de não deixar, nem mesmo um fio de cabeo passar batido pelos meus belos olhos castanhos escuros.
Talvez, mesmo depois de ter feito um seminário sobre você (e lógico, com voce ao meu lado) não tenha sido o bastante para eu aprender a lidar com suas diversas formas de acabar com meu dia (e noite).
Não estou achando ruim o fato de eu comer a cada 40min como se estivesse atravessado um deserto, e minutos depois me sentir culpada por tamanha gula e idiotice. Também não estou reclamando de só conseguir dormir depois das 9h (da manhã, caso fique a dúvida) e isso fazer eu me sentir (mais) feia, gorda e incapas do que o de costume. Claro que isso e só o resultado do que eu estou deixando voce fazer comigo.
Eu realmente gostaria de propor um acordo com a senhora, antes que as coisas piorem e passem a me ver como a 'tia louca dos gatos que mora na ultima casa da rua' (não que isso nao seja verdade). A sua influencia na minha vida, está um tanto abusiva. E eu realmente tenho levantado a bandeira de 'fora aos relacionamentos abusivos'. Por favor me entenda, ok?
Eu gostava quando a nossa parceria era 'produtova', pois juntas, passavamos a madrugada produzindo coisas, escrevendo, lendo, planejando, conversando, fazendo coisas uteis no geral. Agora, nossa parceria se resume à Netflix, Youtube e jogos sugeridos nos intervalos dos videos (menos Coin Masters, que é um porre!).
Poxa, eu não quero ter que me obrigar a solicitar uma ajuda médica para poder lidar com voce à base de medicamentos, voce sabe que sou Hipocondríaca* e voce atenua isso em mim. Com certeza, nosso relacionamento é o mais longo que tive na vida, por um tempo voce sumiu, daí voltou com tudo, como se aqui fosse a casa da mae Joana, ne? Eu te entendo, como já disse, mas preciso de um espaço para ser eu de novo.
Sinceramente, não quero mais ter que fazer aquelas reunióes que fazíamos antes, eu voce e a depressão. Ela já andou dando uns sinais de que está por perto e qualquer hora passa por aqui. Até estou evitando sair de casa, para nao trombar com ela a qualquer momento. Sabe que nós tivemos um lance forte também, né? 
E realmente, não quero mais. E não posso mais.
Hoje por exemplo, voce se apresentou mais agressiva. Com dores pelo corpo, azia e aquela sensação de que estou fazendo algo errado ou de que alguem está me vigiando ( ou tudo isso junto). Vamos mesmo partir para a agressão física? Não basta a psicológica, emocional e mental?
Esta carta, é apenas para voce entender o rumo que nosso relacionamento está tomando e, peço que pense com carinho, pois não quero ter que viver assim.
Eu entendo que voce me deixe alerta e que deixei voce dominar as minhas emoções, por conta dos acontecimentos do ultimo ano, mas alivia aí pra mim. Nunca te pedi nada.
Termino esta, exausta. Pois quero dormir, mas voce liberou toda a adrenalina do meu corpo, como se eu tivesse corrido uma maratona tomando açaí com guaraná e chocolate (e uma dose de café).
Acredito que voce vá me entender.

Com Carinho, 
Bruna Ariane Lima.




* Hipocondríaca: Uma pessoa hipocondríaca apresenta medos e preocupações fortes com a idéia de ter uma doença grave. As idéias surgem normalmente por alguma sensação que a pessoa sente no organismo insignificativas.

 * Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): O transtorno de ansiedade generalizada (CID 10 - F41.1)(conhecido pela sigla TAG) ocorre quando a ansiedade persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia. O principal sintoma do quadro é a “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O que aconteceu comigo? - desabafo de (mais) uma noite de insônia.


Bem, como posso começar este texto sem chorar (mais do que já estou) ... 

Sem pretensão de ser a mesma menina romântica que venho sendo a 35 anos, mas já sendo... 

Acabo de assistir à uma série, que relutei muito por sinal, mas que me rendi e fui até o fim (engrossando minha lista de três coisas que fiz até o final – chupa essa procrastinação) e ela me deixou mais mexida que o habitual. 

O plano era assistir e partir pra próxima, como sempre faço. 

But, automaticamente, ao final do último episódio, mergulhei em memorias e no google imagens e fiquei vendo fotos de momentos em que eu estava Feliz! Sim, eu realmente era feliz naquela época. 

Eu tinha uma espécie de ‘cegueira emocional patológica’ que me impedia de ver realmente como as pessoas eram e me deixava levar, para não ficar sozinha e para parecer legal. 

Lia muito, sobre tudo, para sempre ter um bom assunto com quem quer que eu estivesse. Me policiava, pois, às vezes, eu parecia chata por sempre ter uma história sobre algo (acredite, minha vida foi muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito louca e conheço muita gente, das mais diversas culturas, religiões e práticas duvidosas hehehe). Isso fez (e ainda faz) com que eu sempre tenha uma experiencia para compartilhar. 

Agora, estou escrevendo enquanto assisto à um dos milhares de filmes natalinos na Netflix, e como estes clichês mexem com coisas que estão dentro do subsolo do fundo do poço das coisas que não queremos mexer. 

Perdi minha lista de expressões em inglês para substituir um palavrão! 

A aleatoriedade do assunto deste texto demonstra como estão as emoções aqui dentro (e também dá pra saber como meu terapeuta se sente na sessão) E ISSO ME DEIXA MAIS TRISTE. 

Estou numa vibe tão down que não tenho mais Ânimo absolutamente para nada. Não consigo me concentrar para produzir, não consigo desenvolver projetos novos, não consigo me abrir, não consigo fazer nada além de me deitar e ficar brincando com a insônia durante a noite e com a hipersonia durante o dia. Isso é bem chato e está começando a me deixar mal de verdade. Tenho até medo de pensar em uma nova onda de depressão. Não sei se eu aguento outra. 

Enfim, as fotografias tem o poder de nos transportar por emoções muito loucas. Vi fotos minhas, tiradas em um momento em que eu estava apaixonada (RISOS IRÔNICOS) eu tirava foto todo dia, me arrumava, me MAQUEAVA, gastava tempo com coisas fúteis como mensagens melosas, bilhetes perfumados e muito dinheiro investido em presentes e artigos para adultos (não conta pra minha mãe). 

E, como tudo na vida, o romance acabou. Meio trágico e sem nexo, mas acabou (hoje posso dizer GRAÇAS A DEUS POR ISSO) e com ele foi embora a Bruna daquele tempo. 

Passei a evitar pessoas, sentimentos e tudo relacionado à romance (menos os filmes da Netflix), deixe pra lá tudo e todos os que ameace o mínimo de felicidade que exista. Ou seja, eliminei os riscos. E com eles as excelentes oportunidades que possam (ou não) aparecer. 

Mas Bruna, se você sabe a causa e o antidoto, porque continua? Porque talvez, eu seja masoquista. 

Eu adoraria que alguém realmente tivesse a coragem de ler este desabafo e falasse comigo sobre. Meu celular, travesseiro e teto do meu novo quarto já estão cansados. 


 

domingo, 22 de novembro de 2020

Fora da Zona de Conforto - Não é só um Quarto

Bem, caros amigos, o enredo deste texto, nada mais é do que a mais pura verdade do que eu estou sentindo agora.
Aos 35 anos e 11 dias, tenho a oportunidade de ter meu próprio quarto. Estranho, né?
Muitas pessoas estão comemorando o carro próprio, casa, apto, casamento, filho... E eu, meu quarto. Dane-se! Cada um se diverte com o que tem, já dizia Chorão.
Mesmo parecendo simples e fútil, valorizo as pequenas conquistas (não despreze os pequenos começos). E está é a primeira pequena conquista com grande significado pra mim.
Hoje, é a primeira noite que estou no quarto que sonhei e planejei por anos. Cada detalhe, cada coisa, mas pq não estou feliz?
Este ponto é o que me preocupa muito. Será que perdi a capacidade de festejar 'as pequenas conquistas', mesmo afirmando isso à torto e à direita?
Posso afirmar que, desde o início de 2019,muitas coisas mudaram pra mim. O decorrer do ano, só trouxe coisas 'inesperadas' e isso me tornou um tanto mais fria que o de costume. Na virada do ano, acreditei que este ano seria melhor, pois nada de pior poderia acontecer, comparado ao ano anterior. E me enganei feio!
Nunca fui de me deixar "contaminar" pelas coisas passadas (talvez um pouco) e sempre optei pela segunda chance (isso não é uma regra aplicável à tudo) para que a oportunidade de ver diferente fosse experimentada, mas tá tenso esses últimos meses.
Este lance do quarto, me tirou da minha zona de conforto, onde eu habitava um local 'comum' da casa, mesmo estando desconfortável e sem privacidade nenhuma, mas era bom. Agora, arrumando cada coisa o lugar, passam vários flashbacks na mente, aí bate o desânimo e a vontade de voltar pra trás.
Não sei como explicar e, as pessoas com as quais conversei, também não sabem como explicar (óbvio, pq é comigo que está rolando e não com os outros). Ou dizem que é fase, ou espiritualizam, ridicularizam ou jogam aquele papo de consciência de que 'muitas pessoas queriam ter o mínimo disso que eu tenho é não estou me empenhando em manter'.
Mas Bruna, é só um quarto! Sim, é um quarto. Mas não SÓ um quarto. Será o meu novo mundinho. Onde habitarão meus pensamentos. Tipo aqueles que me assombram a meses e eu não falo com ninguém sobre. Ou aqueles que me fazem querer acabar com tudo. Ou aqueles que me elevam ao ponto de eu achar que sou a pessoa mais importante do mundo. Ou aqueles que mostram exatamente o contrário. Entendeu a questão? Não é só um quarto. São infinitas possibilidades.
Aqui, na primeira noite, já imaginei mil coisas, assisti 12 episódios de uma série, vi e revi todas as redes sociais, pesquisei por coisas bestas e só consigo imaginar que estou ocupando um lugar que não é meu.
Sem contar a ideia de estar menosprezando o esforço da minha mãe em deixar tudo perfeito para mim. E proporcionar o mais próximo do que eu queria. Sério, não é só um quarto. É um turbilhão de responsabilidades. E eu não sei se vou dar conta. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A Sutil Arte De Fazer 35 Anos

Primeiramente, declaro que: nem em meus melhores sonhos imaginei chegar a essa idade, como estou.

Ao completar 30 anos, percebendo que nada do que planejei estava ao menos próximo de acontecer, me desesperei e chorei muito. Muito mesmo. Lembro que no dia, havia umas pessoas em casa, tínhamos acabado de chegar da igreja. Eu me escondi no alto da escada pra chorar. Quando eu desci, as pessoas começaram a cantar parabéns e orar por mim, e eu só chorava, mas não era um choro de emoção, era de decepção. Poxa, muitas pessoas que eu conheço, antes dos 25 já tinham tudo o que eu planejei pra mim, e eu só tinha os planos mesmo.
Não era a culpa de ninguém além de mim, mas na hora, não pensei nisso. Só tinha a absoluta certeza de que eu era uma fraude, de que eu era uma fraca e incompetente. Demorou um bom tempo pra eu assimilar e perceber o quão errada eu estava. 
Nesta época, eu estava desempregada, mas ainda na faculdade. Os estudos também não iam bem. Nada ia bem. Depois, com o tempo, percebi que trintar era apenas o escape que eu precisava pra acordar e mexer em algumas coisas. Tomar ciência de que nem sempre as coisas acontecem como planejamos, que até nossos planos mudam e podem melhorar. E também que pode acontecer de nada do planejado sair do papel (que foi o meu caso).
Eu sempre romantizei tudo. Baseava a minha vida nos filmes da sessão da tarde e nas histórias dos livros que lia. Aos 30, na minha ideia, eu estaria formada em Artes, teria minha casa branca com varanda um quintal e uma janela em Recife, com minhas trigêmeas e meu marido negro e lindo, meus gatos pretos, meu piano de calda na sala, minhas flores azuis e verdes em um jardim repleto de borboletas e aquele bla bla bla todo... Mas não... Aos 30 eu estava com o nome sujo, solteira, sem filhos, morando em guaianazes ainda, cursando Psicologia numa faculdade duvidosa, e chorando escondido na escada com a vergonha dos meus planos frustrados.
Mas sobrevivi até aqui!
Depois desse balde de água fria, parei de planejar. Apenas passei a viver os dias. Não planejava nem o que iria perguntar à um paciente na sessão. Deixei exatamente a vida me levar. E daí, algumas coisas passaram a acontecer. Tive problemas? Muitos. Mas lidei com cada um da maneira que era possível. Enfrentando ou fugindo deles.
Por causa da frieza que adquiri, perdi muitas coisas, pessoas e oportunidades. Não me arrependo disso. Também foi lição.
Algumas oportunidades surgiram e, novamente cai na tentação de projetar um futuro próximo. E cá estou eu!
Hoje, a maioria do que planejei para os meus 35 anos deu errado. Perdi meu baby, ainda solteira GRAÇAS A DEUS, não estou atuando como Psicóloga ainda, não tenho minhas flores azuis e verdes nem meu piano de calda. But, tenho minha empresa, que está me dando muita felicidade. Estou longe do patamar que quero alcançar, mas estou no caminho. Adquiri a capacidade de ser boa ouvinte e de não mais me deixar abater pela ingratidão dos outros.  Percebi que consigo tomar uma decisão sem que precise da aprovação dos outros e que as decisões erradas tendem a me levar ao lugar certo, a maioria das vezes. Percebi meu lugar. Em mim e na vida dos outros. Não preciso mais me diminuir pra caber em ninguém nem pensar demais pra falar não. 
Sim, fazer 35 anos me trouxe uma certeza de que 'mares calmos não fazem bons marinheiros' e que, mesmo com meu pavor de chuva, as tempestades tendem à nos levar para o lugar certo na hora precisa. 
É assustador fazer 35 anos. Dá saudade dos tempos de criança e adolescência, mas não trocaria nem por um minuto as experiencias que tive até aqui. 
Não vou planejar nada pra este próximo ciclo. Prefiro ser surpreendida. 
Talvez eu me arrependa disso, mas assim será melhor. 
Obrigada aos que chegaram até aqui comigo, valeu pelo role. 

Brubeijos e Brubraços 
Happy birthday to me! 

domingo, 13 de setembro de 2020

Seria Importante?

 


Você já imaginou a real importancia que voce tem para as pessoas? Ou assim como eu, você finge que isso não importa nem um pouco (quando na real, importa pra kct)?

Não vou me atentar ou me apegar hoje, à pontuação gramatica e grafia correta, pois estou muito cansada e, enquanto me preocupo com isso, muitas coisas estão passando despercebidas por meus olhos e sentidos.

Estive por dois dias em casa, com cólicas e hemorragia. A maioria das pessoas que me cercam, achando que eu estava fingindo, só pra fugir do trabalho (ao qual eu percebi que não me faz mais bem algum). Talvez, ele tenha ajudado a pensar nessas coisas.

Esta semana, também, tive a desconfortável certeza da importância que NÃO tenho na vida de pessoas que eu julgo importante. É triste, bem triste. E a dor da decepção chega à ser palpável e dói, dói pra caramba.

Eu nem tive coragem de falar isso com meu terapeuta, pois a sessão já foi, indiretamente sobre isso, mas não vou falar sobre isso hoje (e talvez, nunca). Vou deixar naquele porão do subsolo das coisas à serem esquecidas e deixadas pra lá. Isso faz mal? Sim, muito. E mostra o quão eu não dou importância para os meus motivos de me importar comigo, antes de descobrir isto nos outros.

Mas enfim, o motivo deste texto é colocar pra fora o que está gritando aqui. E que minha enorme capacidade de não saber me expressar me impede de conversar com as pessoas sobre o que estou sentindo.

Eu, apesar de ser anti-social, deixo algumas pessoas se aproximarem, por debaixo de muito custo, confiar. E o que elas fazem? Cagam na minha confiança. 

Eu, como psicóloga, deveria saber que isso é provável de acontecer, pois se trata de pessoas (se fosse com plantas seria mais fácil) e não me importar, mas não consigo não me importar com o desperdício de minha (pouca) confiança.

Uma vez me disseram que a gente 'ensina' como as pessoas podem nos tratar. E eu sempre ensinei errado pra todo mundo. Sempre omiti minha vontade, sempre calei quando algo não me agradava, sempre deixei pintarem e bordarem em cima de mim. Pra quê? (hehehe - risada irônica) pra não ficar sozinha! E eis onde estou, rodeada de todos os fantasmas de relaçoes que só partiram de mim.

Nunca aprendi à ser 'meia'. Eu sou do 8 ou 8000. Se eu decido estar perto de alguém, eu estarei perto desse alguém. E o contrário também. Mas nunca acontece isso do outro lado, e eu acho tudo bem. Trata-se de outra vida. Outra pessoa. E talvez, não me caiba neste momento.

Mas é F#D@ (vixi falei palavrão) voce dedicar seu tempo, noites até altas horas ignorando o sono, pra acolher a pessoa. Engolir o choro pra secar as lágrimas de um 'amigo' e, na hora em que você mais precisa, receber uma desculpa esfarrapada ou saber de acontecimentos importantes por terceiros, pois seus 'amigos' estavam ocupados demais para te dar a noticia.

Nestes ultimos anos, estas situações ficaram mais evidentes, mas eu preferi ignorar e mendigar a atenção dos outros. Afinal, não se pode pagar na mesma moeda. E eis-me aqui, sem nenhuma moeda, rs.

Ainda tenho meus gatos, meus livros, meus cactos e minha vontade de gritar que não preciso de ninguem, quando na verdade, preciso sim. Até pra ser sozinho a gente precisa de alguém.

Talvez as situações bonitinhas de superação e volta por cima, tenham ficado reservadas apenas para filmes adolescentes. 

Até este blog, que foi criado à anos, com a intenção de ser um sucesso, que depois se tornaria um livro... Nem minha familia lembra que ele existe kkk. Chega a ser hilário.

Em todo caso, que bom que eles não lêem...

Talvez meu terapeuta tenha razão, estou igual aos tres porquinhos: vivendo em função de fugir do lobo.


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Aprendizados de uma noite de colicas

Você já se sentiu 'fora do eixo' ao estar em um local onde, por muito tempo parecia pertencer?
Estou aqui, as 6h57 da manhã desse 8 de setembro, após uma noite turbulenta de cólicas, dores de cabeça e um fluxo absurdamente exagerado, que não me permite fazer mais nada, além de pensar e escrever. 
Nesta oportunidade, me apeguei aos 'relacionamentos' mais próximos que tenho. Igreja, trabalho, família, amigos. E repensei cada um deles. Com suas particularidades e peculiaridades também. Tentei não pesar prós e contras para não ser radical demais, mas não consegui. 
E fiquei com uma gigantesca interrogação na minha mente: (à essa hora, em que eu deveria estar pronta e saindo de casa para ir para o serviço) que lugar vc ocupa nestes lugares? 
Bom, não cheguei à resposta nenhuma, diga-se de passagem. E talvez, se eu tivesse noção disso, em muitos desses lugares eu não estivesse mais. 
Com uma análise superficial que fiz entre uma contração e outra (sim, cólicas nada mais são do que contrações) percebi que para algumas pessoas desses círculos de relacionamentos, eu sou apenas 'provisão'. Seja para ajustar alguma coisa, ajudar, ouvir ou apenas estar lá. Para outras, sou à válvula de escape. Pois mesmo em meus piores dias, nunca neguei um sorriso ou uma piada sarcástica para alguém. Para outras ainda, sou só um número para manter o status. Essas, já estou deixando na mão. Pois são as mais fáceis de detectar e decidir se quero continuar sendo um enfeite, ou se abandono o posto e sigo feliz. Essas pessoas não fazem falta, da mesma maneira que não faço pra elas. 
Em quase 7 meses de 'quarentena', os sinais da minha importância para algumas pessoas ficaram palpáveis. Tem gente que não sabe nem se estou viva, e está à uma mensagem de distância. Outras só reagem quando posto uma coisa polêmica. Outras fingem desgraçadamente uma saudade falsa. Enfim, não as julgo. Pois também fui bem 'seletiva' nesse sentido. Eu não brigo por lugar na vida de ninguém. Não é orgulho, é autopreservação. 
Graças a Deus, primeira e exclusivamente, tenho refúgio em minha família e no dom que Ele me deu. Óbvio, que vira e mexe, me pego olhando mensagens antigas enviadas à 'amigos', que hj nem na minha lista de amigos estão mais. C'est la vie. Como diz Priscilla Alcântara: é só dizer sim ou não, e transformar em solitude a solidão. 
Estar só, comigo mesmo, tem me trazído muito aprendizado e me familiarizado com o meu lugar. À não aceitar qualquer companhia por medo da solidão. À não estar em qualquer lugar pra preencher vacuos dos outros. À não aceitar qualquer coisa como afeto. À não dar qualquer coisa como afeto também. 
Talvez isso seja amadurecimento ou inteligência emocional. Talvez seja só a ficha caindo mesmo. 
Enfim, saber se o lugar que ocupamos é o mesmo à que pertencemos leva tempo, (Eu levei 34 anos!) mas nunca é tarde pra encontrá-lo. 
O que quero dizer é que, talvez, a gente perca muito tempo tentando se encaixar nos lugares dos outros, que esquecemos do nosso próprio lugar. Eu consegui perceber isso e, aos poucos, estou mudando o que posso e o que consigo. 
Agora chega, que vou tomar outro remédio e um banho, pra ver se consigo descansar. 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Minha Vida Depois de Ler ''Pequeno Manual Antirracista'' de Djamila Ribeiro.

 



Bom, primeiramente deixo o meu agradecimento público à Djamila, pelo excelente manual. Apesar de pequeno no tamanho é enorme em conteúdo e esclarecimentos.

Também minha G R A T I D Ã O ao amor da minha vida, Gab's (@nemvemgabs sigam e se esbaldem nos conteúdos, super vale a pena).

Minha eterna gratidão à minha mãe, que nos criou e instruiu à sermos livres de todos e quaisquer preconceito com quem quer que seja. 

Enfim, agradecimentos feitos, bora à minha aventura empírica e apodídica neste Best Seller.

Eu já havia visto algo sobre este livro nas redes sociais e tal, mas nunca 'olhei pra ele de verdade'. até vi uns stories do Gab's com alguns trechos e, entre um almoço e outro, ele sempre esclarecia alguns pontos.

Eu sou bem curiosa, às vezes, mas tenho vergonha de perguntar as coisas. Acompanho as movimentações dos grupos anti-racistas, feministas, pró LGBTQIA+, e tudo o que envolva 'as minorias' (que de minorias não tem nada.) 

Realmente, sou muito radical no que se trata de 'taxações' seja por quais forem os motivos. Enfim, a curiosidade gritou e pedi o livro emprestado.

MEU DEUS DO CÉU! Eu engoli o livro em 4 horas. Em alguns trechos, pude fazer uma auto-análise e perceber o quão hipócrita eu estava sendo em relação ao povo preto (aprendi que não se diz negro), ao feminismo e à tudo o que eu julgava estar levantando uma bandeira em favor.

Sabe aquelas 'piadinhas' de mal gosto que voce atura? Ou o simples fato de rir ou ridicularizar alguem pela roupa, jeito de falar, religião, deficiência, etc... Isso tudo eu fazia, antes de terminar este livro.

Uns dizem que fiquei chata e intolerante depois disso, e fiquei mesmo!

Não suporto mais nenhuma discriminação referente  ao ser.

Mesmo tendo que lidar com elas todos os dias. Em todo o tempo. De todo mundo.

É bem chato, pois comecei a perceber traços racistas em pessoas próximas, aquelas que eu amo. Aí vêm me falar de colorismo (emoji de olho virando pra cima)... Gente, pára com isso.

Se voce nunca foi 'perseguido' em uma loja, barrado em alguns lugares pela cor da pele ou pelo que vestia, se nunca te usaram como referência de algo ruim ou pejorativo... NÃO ME VENHA FALAR DE COLORISMO.

Mas porque deste texto então, Bruna Ariane?

Por que eu estou cansada! Cansada de ter que ouvir justificativas patéticas para flagrantes de atos racistas/preconceituosos. Cansada de ter que me entupir de remedio para acalmar o ódio que eu sinto quando ouço esse tipo de coisas. Cansada de não poder revidar da maneira que eu gostaria em cada situação (neste caso, ainda bem). Cansada de ver a hipocrisia radiante nos olhos e nos lábios de quem me cerca e finge se importar.

O povo preto sofre à décadas com escravidão, criminalização, morte por nada, sexualização (nem sei se esta palavra existe) e um monte de 'ãos' por ai. Tô engasgada com várias situações que eu presencio e não posso 'agir', pois sou minoria em um ambiente racista e, infelizmente, dependo deste ambiente.

Já até perdi o rumo do que eu queria escrever, pois a raiva já dominou o raciocínio.

Como a maioria dos textos que posto, a intenção é desabafar e aliviar um pouco a tensão. Tenho conversado muito com meu terapeuta à respeito disso (sim, tive que buscar ajuda profissional pra conseguir não absorver tudo tão intensamente). Tem me ajudado, mas a demanda cresce a cada semana e tá ficando cada vez mais chato.

Eu até iria pedir desculpas por estar muito chata, intolerante à gente trouxa, atenta ao que acontece ao meu redor e tal, mas não quero. Porque estou evoluindo e isso é bom pra mim e pra quem me cerca.

Acabou a linha de raciocínio gente. Desculpa aí. 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Minha Experiencia com o Covid19



Bom, primeiramente nem queria poder escrever sobre isso.
Desde que começaram as recomendações sobre isolamento, quarentena e Tals, eu fui a primeira a levar a sério e não sair nem na garagem de casa. Sim, fui bem radical... Produzi máscaras, comprei álcool gel, fiz até capinhas pra eles ficarem personalizados... Enfim, me cerquei de todo cuidado, mesmo com o pessoal aqui de casa não aderindo ao mesmo cuidado.
Enfim, do dia 17 de março ao dia 12 de abril, essa foi minha vida.
Porém, dia 13, comecou uma nova rotina: voltei a trabalhar! Máscara pra sair na rua, álcool gel a cada 2 min, água, muita água... Lava a mão, passa álcool e aquele bla bla bla todo...
Mas nada disso foi suficiente para que eu não fosse infectada por este virus. Infelizmente.
Eu não sei definir se estou triste ou com medo ou assustada, ou tudo isso. Eu sei que nunca me senti assim. Nunca tive essas febres, nunca tive essa tosse horrível e dolorida, nunca me cansei só por me sentar na cama e, nunca não senti gosto de pimenta. Está tudo estranho e cada dia, literalmente, está sendo como se fosse o último. Infelizmente também, com o presidente bosta que temos e a população que bate tambor pra doido dançar (nem todos ok) nem sei se estarei aqui pra postar este texto (e se eu não estiver, e vc mexeu no meu celular e achou, por favor poste). Não fui pra um hospital ainda, sim estou a 1 semana com os sintomas e não fui a um hospital por motivos óbvios: NÃO QUERO MORRER E VIRAR ESTATÍSTICA. Aqui no posto de saúde que trata a comunidade, 19 (isso mesmo DEZENOVE) funcionários estão infectados e afastados. Eles se deram o trabalho de avisar a população? Piada né, pra que? A população vai saber mesmo. Isso responde o porque eu nao ter ido ao hospital.
Enfim, lembro de sentir algo parecido com o que estou sentindo no ano que completei 30 anos de idade. Foi o pior ano. Um ano em que eu me analisei muito, me cobrei e julguei por tudo o que não havia conquistado (ou pelo menos me empenhado mais). Hoje eu estou assim!
Os noticiários tem prazer de mostrar os dados de mortes por este virus e eu tremo a cada um que ouço, mesmo que eu evite. Pois amanhã, posso fazer parte da noticia (espero realmente que não). Eles falam de números, não de pessoas, de vidas. O que dirão de mim? Como vai ficar minha família, minha mãe, meus amigos?
É assustador pensar nisso. Mas infelizmente, inevitável.
Hoje, 29/04/2020 são 22h46, estou escrevendo este texto e orando pra que amanhã eu esteja de pé. Mesmo com todos os sintomas. Mas caso não consiga, eu sei onde e com quem eu vou estar.

 Boa noite.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A Vida É Um Instante


Sempre odiei hospitais e quem me conhece sabe o pavor que tenho das seguintes palavras ditas na mesma frase: 'você precisa ir ao médico'... Sinceramente, não sei de onde veio este medo e, por outro lado, todas as minhas idas à um hospital não foram lá muito agradáveis.
Graças a Deus, sempre fui um ser humano saudável, apesar de não colaborar em nada para isso (até o presente momento).
E porque este texto agora?
Estou aqui no saguão do hospital, esperando a interminável fila de Triagem pra passar com o cirurgião, para assim saber o dia em que serei livre da pedra que apareceu no meu caminho - específicamente, na minha vesícula - tô morrendo de medo? Com toda certeza do mundo! Desesperada e torcendo pro milagre acontecer antes de eu ser atendida pelo recepcionista, mas sigo firme. Não tão firme talvez.
Enfim, aqui na fila de espera, não tem muito o que fazer a não ser observar tudo e todos ao redor. Tem todo tipo de gente: barraqueiras, simpáticas, barraqueiras simpáticas, pessoas muuuuuito doente, aquelas que só querem um atestado e, aquelas que estão aguardando notícias de alguém que já está aqui. É sobre estas que quero falar.
À poucos minutos atrás, um enfermeiro (provavelmente, estagiário, pela frieza da situação) apareceu na porta que sai da emergência e chamou por 'familiares de Francisco Soares', friamente, sem demonstrar nenhuma empatia. Andou pelo saguão e abordou umas três ou quatro pessoas com um sorriso amarelo, perguntando se eram parentes do sr Francisco Soares. Todas negativas, ele com um saco com roupas e pertences ia voltando para o corredor 'da morte', quando um rapaz e duas moças o pararam. Sim, eram os familiares do sr Francisco Soares! Ele simplesmente, entregou o pacote e disse, ele morreu, aguardem aqui para a liberação do corpo, virou as costas e saiu. Assim como quem diz: uau, que cabelo bonito! Ou 'que horas são?'. As moças começaram a chorar desesperadamente, e o rapaz tentou consolá-las, mas também não resistiu e caiu em lágrimas. Até eu tive vontade de chorar, mas não pelo sr Francisco Soares, sim pelo péssimo atendimento e cuidado deste enfermeiro, que por ironia, usava um broche de 'enfermagem por amor' no crachá. Entendo a correria de um hospital, as inúmeras vezes que ele, talvez, tenha que dar esta noticia por día (aquí neste hospital, o índice de mortalidade é alto, daí meu medo em fazer a cirurgia aqui) a pressão que sofre o dia todo, mas EMPATIA diploma nenhum garante.
Os familiares do sr Francisco Soares estão lá fora, no estacionamento, ainda chorando.
Enquanto escrevo mais duas pessoas foram chamadas para receber a triste notícia que alguém querido se foi, porém, a notícia foi dada por humanos, não apenas robôs enfermeiros. É muito triste.
Uma vez, ouvi que há pessoas que 'são' e outras que 'estudam para ser', acho que hoje tive um péssimo exemplo disso.
A vida é um instante, e num instante deixamos de ser, ou estar.