sábado, 16 de janeiro de 2016

Feridas, Marcas e Cicatrizes

Minhas feridas cheiram mal e supuram, devido à minha insensatez. (Salmos, 38:5) Geralmente, feridas, não cuidadas, nos causam grandes transtornos. Além da aparência, que causa 'asco' em quem olha, tem o desconforto de quem a carrega. Se não cuidada, demora a cicatrizar e pode até vir à piorar a situação inflamando, aumentando sua proporção. E, se não cuidada e a pessoa ainda mexe nela, com as mãos sujas ou sem o uso da medicação certa para aquele tipo de ferida, a situação piora ainda mais. Isso serve para as feridas físicas, espirituais, sentimentais e as 'famosas' feridas na alma. Quando o salmista escreveu este verso, creio que estava em uma profunda angústia, por suas atitudes. Suas feridas abertas e purulentas, causavam-lhe dores. Não estudei este verso, não sei se ele fala de feridas físicas ou no interior de sua alma. Mas, de qualquer forma, o que me chamou a atenção, é que ele soube expressar a sua dor, por algo não cuidado. E qual a sua ferida? Em que estágio ela se encontra? Está exposta como as feridas de Jó? Está te desgastando como a da mulher do fluxo de sangue? É profunda como as de Tamar? Seja qual for o estágio em que você está, é preciso se dar conta da profundidade da sua ferida. E, a partir do momento que você souber a origem dela, cuidar e tratar, com o medicamento correto (a oração, a Palavra) para vê-la cicatrizar. Após a cicatrização, olhar para ela e não sentir mais dor, mas, o sentimento de dever cumprido. Tê-la como um referencial, do que fazer ou não em situações parecidas. Mas uma coisa é certa, toda ferida que você mexe, jamais cicatriza. Nunca sara. Sempre estará aberta e causará dores tremendas. E, se para as feridas físicas, que todos podem ver e ajudar a curar o processo é doloroso, imagina para aquelas que teimamos em negar sua existência? Pra eu escrever este texto, tive que mexer em algumas feridas minhas... Doeu pakas. Mas, se não nos aprofundarmos na dimensão da ferida, limpá-la e tratá-la, nunca veremos ela se tornar uma cicatriz. Sabe o perdão? Pois bem, ele é um ótimo medicamento para essas feridas abertas. Se não o principal... É mais eficaz que qualquer bisturi, não dói nem arde como mertiolate, não mancha como mercúrio e o gosto é bem melhor que buscopan e outros remédios. Sem contar, que não precisa de receita nem dinheiro para adquirir. Já vem dentro de nós... Bom, seja bênção em sua própria vida, haja com sabedoria e discernimento, não seja pedra, seja ponte... Pra vc mesmo. Uma simples ferida no ego, pode te paralizar, estagnar e matar (física, mental, espiritual e psicologicamente). Arrependimento, perdão e renúncia, são as palavras de ordem para a cura de suas feridas.

A Loja do Ferreiro

Na loja do ferreiro existem três tipos de ferramentas.
Na 'pilha de lixo' existem ferramentas:
-ultrapassadas;
-quebradas;
-sem corte;
-enferrujadas.
Elas são colocadas num canto, cobertas por teias de aranhas sem uso para o seu mestre e suas utilidades são esquecidas.

Na 'bigorna' existem ferramentas:
-derretidas;
-fundidas;
-moldáveis;
-alteráveis.
Elas ficam na bigorna, sendo modeladas pelo seu mestre, aceitando o seu desígnio.
Existem ferramentas de muita utilidade:
-afiadas;
-preparadas;
-definidas;
-movíveis.
Elas ficam prontas na 'caixa de ferramentas' do ferreiro, disponíveis para o seu mestre, cumprindo o seu desígnio.
Algumas pessoas ficam sem uso:
-vidas quebradas;
-desperdiçando talentos;
-fogo apagado;
-sonhos destruídos.
Elas são rendidas como os fragmentos de ferro, em desesperada necessidade de reparos, sem noção de propósito.
Outras ficam na bigorna:
-corações abertos;
-famintos para mudar;
-ferimentos sendo curados;
-visões tornando-se claras.
Elas dão boas vindas às dolorosas pancadas do martelo do ferreiro, desejando serem refeitas, suplicando para serem utilizadas.

Outras repousam nas mãos do seu Mestre:
-bem sintonizadas;
-determinadas;
-polidas;
-produtivas. Elas respondem de antemão ao seu Mestre, sem pedir nada, entregando tudo.
Todos nós nos encontramos em algum lugar da loja do ferreiro. Ou nós estamos na pilha (monte) de fragmentos, ou na bigorna das mãos do Mestre, ou na caixa de ferramentas. (Alguns de nós nos encontramos nos três lugares.) E tenho certeza de que você se verá em algum lugar. Descobriremos o que Paulo quis dizer quando falou em se tornar "um instrumento para nobres propósitos". E que se tornar é isto: a pilha de lixo de ferramentas quebradas, a bigorna de refundição, as mãos do Mestre - está é uma viagem simultaneamente prazerosa e dolorosa. Para você que faz a viagem - que deixa a pilha (monte) e entra no fogo, ousa ser martelado na bigorna de Deus, e obstinadamente procura descobrir o seu propósito -, tenha coragem, pois você aguarda pelo privilégio de ser chamado "instrumento escolhido por Deus".