domingo, 13 de setembro de 2020

Seria Importante?

 


Você já imaginou a real importancia que voce tem para as pessoas? Ou assim como eu, você finge que isso não importa nem um pouco (quando na real, importa pra kct)?

Não vou me atentar ou me apegar hoje, à pontuação gramatica e grafia correta, pois estou muito cansada e, enquanto me preocupo com isso, muitas coisas estão passando despercebidas por meus olhos e sentidos.

Estive por dois dias em casa, com cólicas e hemorragia. A maioria das pessoas que me cercam, achando que eu estava fingindo, só pra fugir do trabalho (ao qual eu percebi que não me faz mais bem algum). Talvez, ele tenha ajudado a pensar nessas coisas.

Esta semana, também, tive a desconfortável certeza da importância que NÃO tenho na vida de pessoas que eu julgo importante. É triste, bem triste. E a dor da decepção chega à ser palpável e dói, dói pra caramba.

Eu nem tive coragem de falar isso com meu terapeuta, pois a sessão já foi, indiretamente sobre isso, mas não vou falar sobre isso hoje (e talvez, nunca). Vou deixar naquele porão do subsolo das coisas à serem esquecidas e deixadas pra lá. Isso faz mal? Sim, muito. E mostra o quão eu não dou importância para os meus motivos de me importar comigo, antes de descobrir isto nos outros.

Mas enfim, o motivo deste texto é colocar pra fora o que está gritando aqui. E que minha enorme capacidade de não saber me expressar me impede de conversar com as pessoas sobre o que estou sentindo.

Eu, apesar de ser anti-social, deixo algumas pessoas se aproximarem, por debaixo de muito custo, confiar. E o que elas fazem? Cagam na minha confiança. 

Eu, como psicóloga, deveria saber que isso é provável de acontecer, pois se trata de pessoas (se fosse com plantas seria mais fácil) e não me importar, mas não consigo não me importar com o desperdício de minha (pouca) confiança.

Uma vez me disseram que a gente 'ensina' como as pessoas podem nos tratar. E eu sempre ensinei errado pra todo mundo. Sempre omiti minha vontade, sempre calei quando algo não me agradava, sempre deixei pintarem e bordarem em cima de mim. Pra quê? (hehehe - risada irônica) pra não ficar sozinha! E eis onde estou, rodeada de todos os fantasmas de relaçoes que só partiram de mim.

Nunca aprendi à ser 'meia'. Eu sou do 8 ou 8000. Se eu decido estar perto de alguém, eu estarei perto desse alguém. E o contrário também. Mas nunca acontece isso do outro lado, e eu acho tudo bem. Trata-se de outra vida. Outra pessoa. E talvez, não me caiba neste momento.

Mas é F#D@ (vixi falei palavrão) voce dedicar seu tempo, noites até altas horas ignorando o sono, pra acolher a pessoa. Engolir o choro pra secar as lágrimas de um 'amigo' e, na hora em que você mais precisa, receber uma desculpa esfarrapada ou saber de acontecimentos importantes por terceiros, pois seus 'amigos' estavam ocupados demais para te dar a noticia.

Nestes ultimos anos, estas situações ficaram mais evidentes, mas eu preferi ignorar e mendigar a atenção dos outros. Afinal, não se pode pagar na mesma moeda. E eis-me aqui, sem nenhuma moeda, rs.

Ainda tenho meus gatos, meus livros, meus cactos e minha vontade de gritar que não preciso de ninguem, quando na verdade, preciso sim. Até pra ser sozinho a gente precisa de alguém.

Talvez as situações bonitinhas de superação e volta por cima, tenham ficado reservadas apenas para filmes adolescentes. 

Até este blog, que foi criado à anos, com a intenção de ser um sucesso, que depois se tornaria um livro... Nem minha familia lembra que ele existe kkk. Chega a ser hilário.

Em todo caso, que bom que eles não lêem...

Talvez meu terapeuta tenha razão, estou igual aos tres porquinhos: vivendo em função de fugir do lobo.


terça-feira, 8 de setembro de 2020

Aprendizados de uma noite de colicas

Você já se sentiu 'fora do eixo' ao estar em um local onde, por muito tempo parecia pertencer?
Estou aqui, as 6h57 da manhã desse 8 de setembro, após uma noite turbulenta de cólicas, dores de cabeça e um fluxo absurdamente exagerado, que não me permite fazer mais nada, além de pensar e escrever. 
Nesta oportunidade, me apeguei aos 'relacionamentos' mais próximos que tenho. Igreja, trabalho, família, amigos. E repensei cada um deles. Com suas particularidades e peculiaridades também. Tentei não pesar prós e contras para não ser radical demais, mas não consegui. 
E fiquei com uma gigantesca interrogação na minha mente: (à essa hora, em que eu deveria estar pronta e saindo de casa para ir para o serviço) que lugar vc ocupa nestes lugares? 
Bom, não cheguei à resposta nenhuma, diga-se de passagem. E talvez, se eu tivesse noção disso, em muitos desses lugares eu não estivesse mais. 
Com uma análise superficial que fiz entre uma contração e outra (sim, cólicas nada mais são do que contrações) percebi que para algumas pessoas desses círculos de relacionamentos, eu sou apenas 'provisão'. Seja para ajustar alguma coisa, ajudar, ouvir ou apenas estar lá. Para outras, sou à válvula de escape. Pois mesmo em meus piores dias, nunca neguei um sorriso ou uma piada sarcástica para alguém. Para outras ainda, sou só um número para manter o status. Essas, já estou deixando na mão. Pois são as mais fáceis de detectar e decidir se quero continuar sendo um enfeite, ou se abandono o posto e sigo feliz. Essas pessoas não fazem falta, da mesma maneira que não faço pra elas. 
Em quase 7 meses de 'quarentena', os sinais da minha importância para algumas pessoas ficaram palpáveis. Tem gente que não sabe nem se estou viva, e está à uma mensagem de distância. Outras só reagem quando posto uma coisa polêmica. Outras fingem desgraçadamente uma saudade falsa. Enfim, não as julgo. Pois também fui bem 'seletiva' nesse sentido. Eu não brigo por lugar na vida de ninguém. Não é orgulho, é autopreservação. 
Graças a Deus, primeira e exclusivamente, tenho refúgio em minha família e no dom que Ele me deu. Óbvio, que vira e mexe, me pego olhando mensagens antigas enviadas à 'amigos', que hj nem na minha lista de amigos estão mais. C'est la vie. Como diz Priscilla Alcântara: é só dizer sim ou não, e transformar em solitude a solidão. 
Estar só, comigo mesmo, tem me trazído muito aprendizado e me familiarizado com o meu lugar. À não aceitar qualquer companhia por medo da solidão. À não estar em qualquer lugar pra preencher vacuos dos outros. À não aceitar qualquer coisa como afeto. À não dar qualquer coisa como afeto também. 
Talvez isso seja amadurecimento ou inteligência emocional. Talvez seja só a ficha caindo mesmo. 
Enfim, saber se o lugar que ocupamos é o mesmo à que pertencemos leva tempo, (Eu levei 34 anos!) mas nunca é tarde pra encontrá-lo. 
O que quero dizer é que, talvez, a gente perca muito tempo tentando se encaixar nos lugares dos outros, que esquecemos do nosso próprio lugar. Eu consegui perceber isso e, aos poucos, estou mudando o que posso e o que consigo. 
Agora chega, que vou tomar outro remédio e um banho, pra ver se consigo descansar. 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Minha Vida Depois de Ler ''Pequeno Manual Antirracista'' de Djamila Ribeiro.

 



Bom, primeiramente deixo o meu agradecimento público à Djamila, pelo excelente manual. Apesar de pequeno no tamanho é enorme em conteúdo e esclarecimentos.

Também minha G R A T I D Ã O ao amor da minha vida, Gab's (@nemvemgabs sigam e se esbaldem nos conteúdos, super vale a pena).

Minha eterna gratidão à minha mãe, que nos criou e instruiu à sermos livres de todos e quaisquer preconceito com quem quer que seja. 

Enfim, agradecimentos feitos, bora à minha aventura empírica e apodídica neste Best Seller.

Eu já havia visto algo sobre este livro nas redes sociais e tal, mas nunca 'olhei pra ele de verdade'. até vi uns stories do Gab's com alguns trechos e, entre um almoço e outro, ele sempre esclarecia alguns pontos.

Eu sou bem curiosa, às vezes, mas tenho vergonha de perguntar as coisas. Acompanho as movimentações dos grupos anti-racistas, feministas, pró LGBTQIA+, e tudo o que envolva 'as minorias' (que de minorias não tem nada.) 

Realmente, sou muito radical no que se trata de 'taxações' seja por quais forem os motivos. Enfim, a curiosidade gritou e pedi o livro emprestado.

MEU DEUS DO CÉU! Eu engoli o livro em 4 horas. Em alguns trechos, pude fazer uma auto-análise e perceber o quão hipócrita eu estava sendo em relação ao povo preto (aprendi que não se diz negro), ao feminismo e à tudo o que eu julgava estar levantando uma bandeira em favor.

Sabe aquelas 'piadinhas' de mal gosto que voce atura? Ou o simples fato de rir ou ridicularizar alguem pela roupa, jeito de falar, religião, deficiência, etc... Isso tudo eu fazia, antes de terminar este livro.

Uns dizem que fiquei chata e intolerante depois disso, e fiquei mesmo!

Não suporto mais nenhuma discriminação referente  ao ser.

Mesmo tendo que lidar com elas todos os dias. Em todo o tempo. De todo mundo.

É bem chato, pois comecei a perceber traços racistas em pessoas próximas, aquelas que eu amo. Aí vêm me falar de colorismo (emoji de olho virando pra cima)... Gente, pára com isso.

Se voce nunca foi 'perseguido' em uma loja, barrado em alguns lugares pela cor da pele ou pelo que vestia, se nunca te usaram como referência de algo ruim ou pejorativo... NÃO ME VENHA FALAR DE COLORISMO.

Mas porque deste texto então, Bruna Ariane?

Por que eu estou cansada! Cansada de ter que ouvir justificativas patéticas para flagrantes de atos racistas/preconceituosos. Cansada de ter que me entupir de remedio para acalmar o ódio que eu sinto quando ouço esse tipo de coisas. Cansada de não poder revidar da maneira que eu gostaria em cada situação (neste caso, ainda bem). Cansada de ver a hipocrisia radiante nos olhos e nos lábios de quem me cerca e finge se importar.

O povo preto sofre à décadas com escravidão, criminalização, morte por nada, sexualização (nem sei se esta palavra existe) e um monte de 'ãos' por ai. Tô engasgada com várias situações que eu presencio e não posso 'agir', pois sou minoria em um ambiente racista e, infelizmente, dependo deste ambiente.

Já até perdi o rumo do que eu queria escrever, pois a raiva já dominou o raciocínio.

Como a maioria dos textos que posto, a intenção é desabafar e aliviar um pouco a tensão. Tenho conversado muito com meu terapeuta à respeito disso (sim, tive que buscar ajuda profissional pra conseguir não absorver tudo tão intensamente). Tem me ajudado, mas a demanda cresce a cada semana e tá ficando cada vez mais chato.

Eu até iria pedir desculpas por estar muito chata, intolerante à gente trouxa, atenta ao que acontece ao meu redor e tal, mas não quero. Porque estou evoluindo e isso é bom pra mim e pra quem me cerca.

Acabou a linha de raciocínio gente. Desculpa aí.