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segunda-feira, 6 de agosto de 2018
O Primeiro Ano da Graduação em Psicologia
Começo este texto, dizendo que tudo o que vc já viu em filmes, referente à vida universitaria, não passa de uma enorme mentira hollywoodiana.
Não existem festas, gatinhos (tem alguns, na verdade), facilidades, grêmios, time de futebol, basquete ou algo do tipo. Não tem musiquinha no corredor, trilhas sonoras para qualquer passo... Nada disso.
Na graduação, encontrei somente o oposto...
Meu primeiro dia de 'aula', foi uma avaliação de nivelamento de português e matemática (matemática na Psicologia? Sim!). Enfim, mesmo estando dez anos longe de uma sala de aula, não fui tão mal. Ainda neste dia, tivemos o desprazer de ouvir que éramos 'bossais e analfabetos culturais' (existe isso?) 😅
Enfim, bixo do mato como sou, entrei na sala louca por um lugar no fundo que, para minha decepção, estava lotado 😒. Só havia um lugar no meio da sala, para o meu desespero. Aí vem aquela experiência 'rara' de falar quem vc é e porque escolheu Psicologia 😑 Sério, existe esse tipo de apresentação nas graduações.
O professor era um fofo, fiz a avaliação e deu a hora do intervalo (hora é só modo de falar, pq eram apenas 10min).
A aula seguinte, me fez lembrar do ensino médio real... Behaviorismo 😍. A professora super didática, comunicativa. Enfim, passada a experiência do primeiro contato com uma universidade, de volta ao meu mundinho solitário, fui para casa, me perguntando até quando eu iria levar esta loucura adiante.
Hoje vejo que, o que me moveu à universidade não foi o amor a psicologia, ou o amor por pessoas, ou qualquer outra coisa bonitinha. Eu só me metí nisso, porque fui desafiada. E adoro desafios. Principalmente quando eu mesma acho que não serei capaz de cumpri-los.
O primeiro semestre foi muito confuso. Superlotação da sala, divisão da turma, mudança de prédio, anatomia, estatística, antropologia, filosofia e história da psicologia... Os piores começos. Assustam mesmo. Fiquei de exame em anatomia, por prestar mais atenção no professor do que na matéria (e não fui a única 😉). Enfim, sobrevivi, fiz até algumas amizades. A vontade de desistir vinha sempre no momento em que era anunciado trabalho 'em grupo' e N1/N2. Ainda esperava a porta abrir e entrar o ZACK Efrom cantando alguma música ou as patricinhas de Beverly Hills com algum convite de festa (que eu não iria).
Não existiu um dia em que eu não me perguntasse o que eu estava fazendo ali. Outra realidade. Outro mundo. Outros níveis de pessoas. Tudo novo, de novo.
Aí a situação começou a complicar 'financeiramente falando'. Era a oportunidade de parar ali. Tive um mega apoio da minha mãe, que se desdobrava pra que eu tivesse, pelo menos, o dinheiro da condução. Eram quase 3 horas pra ir e pra voltar, pois só conhecia um caminho, o mais longo que era feito com quatro ônibus. Depois isso ficou mais fácil.
Eu passei a ter problemas para dormir, me socializar e alguns traços depressivos. Nunca gostei de pedir ajuda. Odeio incomodar. Então, as coisas passaram a ser bem mais difíceis 'para mim'. Porque ainda tinha o trabalho de parecer bem para todo mundo. Ninguém poderia saber da minha dificuldade, desespero e arrependimento. Em todo tempo, ouvia uma conversa que tive com uma amiga, em que ela dizia:"vc vai sentir vontade de jogar tudo pro ar, mas não faça isso, se o que vc quiser la na frente for ter orgulho de fazer o que quis, pelo menos uma vez na vida. Não pelo diploma, mas pelo fato de ter concluído algo..."
Aí lembrava disso, lembrava da minha mãe, e no que eu poderia fazer pelos outros no final dessa trilha e permaneci.
Enfim, começou o segundo semestre. Agora, além de tudo, tinha o monstro dos universitários: AS XEROX. 😭😲
E mais uma vez, Deus achou graça e me presenteou com a amizade de 2 pessoas que me 'davam' as xerox. Obrigada Luana e Kleber, vocês são benção na minha vida (até hoje).
Por enquanto, ainda estava na paixão pela profissão. As matérias eram difíceis, porém, aprendizado enriquece, não é mesmo? Então bora lá.
Neste período, abandonei o curso de Teologia que também havia começado. Eram muitas informações que se contradiziam e me confundiam. A psicologia, assim como qualquer profissão, é uma benção, mas se você não tiver certeza absoluta de quem você é, da sua fé (para quem tem fé em algo) e maturidade, você pira. E pira na batatinha meixmo. E eu estava quase pirando. Como a síndrome de todo estudante, a cada aula em que era apresentada alguma área nova, ou uma patologia, ou indícios de sintomas sempre me incluía. A gente tende a se depreciar e se afastar demais quando 'se analisa'.
Até então, nada de 'psicologia' havia sido apresentado. Mas cada experiência estava sendo boa. O contato com pessoas inteligentes nos desperta a curiosidade de conhecer o que elas conhecem, para que possamos entender os porquês e passar a chegar em conclusões por nosso próprio mérito.
O ano terminou tranquilo. E eu estava ao mesmo tempo ansiosa e com medo do que viria.
Mas bora que tem mais.
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